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Chegou o Outubro Rosa. Conhecido como o mês da conscientização sobre o
câncer de mama, o movimento, que começou nos Estados Unidos em 1990
representado por um laço cor de rosa, ganhou força no mundo todo. Isso
porque o câncer de mama é o segundo tipo mais comum da doença em todo o
mundo e o mais frequente em mulheres. De acordo com o INCA (Instituto
Nacional de Câncer), só este ano, mais de 57 mil novos casos devem ser
diagnosticados no Brasil.
Divulgação/Extra!
"O acompanhamento médico e a realização da mamografia a partir
dos 40 anos são fundamentais para um bom prognóstico. Se diagnosticado
precocemente, o câncer de mama tem uma chance de cura de até 95%",
ressalta o oncologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo,
José Rodrigues Pereira.
Abaixo, o especialista esclarece dez dúvidas frequentes sobre o câncer de mama. Confira:
1. O que causa o câncer de mama?
Há diversos fatores que aumentam o risco de desenvolver um
câncer de mama: sexo feminino, idade superior a 40 anos, raça branca,
aumento da densidade mamária na mamografia, obesidade na pós-menopausa,
primeira menstruação antes dos 13 anos, menopausa tardia, ausência de
gestação ou gestação em idade tardia (depois dos 35 anos), terapia de
reposição hormonal na pós-menopausa, história pessoal de câncer de mama,
número de parentes de primeiro grau com câncer de mama e frequente
ingestão de álcool em doses moderadas a altas.
2. É hereditário?
Apesar de portadoras de câncer de mama citarem outros familiares com
o problema, apenas 10% dos casos podem apresentar mutações genéticas
hereditárias, como o BRCA1 e BRCA2.
3. O uso de anticoncepcionais ao longo da vida pode contribuir com o problema?
A relação entre o uso de anticoncepcionais orais e o aumento no
risco de câncer de mama ainda é controverso. Estudos epidemiológicos com
milhares de mulheres não demonstraram aumento significativo no risco de
câncer de mama. Além do mais, os anticoncepcionais atuais possuem
dosagem hormonal inferior aos que eram usados antigamente.
4. Homem tem câncer de mama?
O câncer de mama no sexo masculino é raro e representa 1% de todos
os casos diagnosticados. A incidência em mulheres chega a ser 100 vezes
maior do que em homens.
5. Como o câncer de mama é diagnosticado?
O rastreamento de câncer de mama com mamografia anual é indicado
em mulheres a partir de 40 anos, conforme recomendado pela Sociedade
Brasileira de Mastologia. Nos casos suspeitos, a confirmação do
diagnóstico de câncer de mama é feito por meio da biópsia de lesões
identificadas na mamografia, ultrassom, ressonância mamária ou exame
clínico.
6. O autoexame é capaz de detectar todos os tumores?
Não, menos de 10% dos tumores de mama são identificados por meio
do autoexame. Ele não deve ser considerado como substituto à realização
da mamografia porque não foi demonstrada redução da mortalidade por
câncer com essa prática. Mas, nem por isso deve ser abandonado, pois o
autoexame pode reduzir o número de casos avançados.
7. Todo nódulo na mama pode virar câncer?
Aproximadamente 90% dos nódulos de mama palpáveis em mulheres
entre 20 e 50 anos são benignos, como os fibroadenomas, cistos ou
necroses do tecido adiposo. Algumas características clínicas, como
inchaço da pele, retração cutânea, ulceração e sangramento pelo mamilo
podem indicar a presença de câncer de mama.
8. Como é o tratamento?
Existem cinco modalidades de tratamento que devem ser avaliadas
conforme as características de cada caso: cirurgia, radioterapia,
quimioterapia, hormonoterapia e terapias -alvo.
A cirurgia é a base do tratamento curativo. Ela pode ser
conservadora, quando preserva a mama, ou radical, quando há a retirada
da mama e do mamilo. A radioterapia é um tratamento complementar para
reduzir o retorno da doença. A quimioterapia, que também é um tratamento
complementar, além de reduzir a recidiva do câncer, também diminui a
possibilidade de metástase em outros órgãos. A hormonoterapia bloqueia o
estímulo dos hormônios femininos sobre as células tumorais e está
indicada para as pacientes com tumores que expressam receptores
hormonais. Trastuzumabe é uma terapia-alvo indicada para pacientes com
superexpressão da proteína HER2 no tumor.
9. Quais as chances da doença voltar?
Quanto mais precoce for diagnosticado o câncer de mama,
maior a chance de cura. Tumores em estádios iniciais apresentam chance
de cura em 80 a 95% dos casos Nos tumores em estágios avançados, a
chance de cura cai para 50 a 70% dos casos.
10. É possível prevenir o câncer de mama?
Algumas medidas podem reduzir o risco de câncer de mama. A
amamentação pode reduzir o risco em 4,3% para cada 12 meses dessa
prática. A ingestão de alimentos ricos em fitoestrogênios, como soja
(isoflavona) e as frutas (lignanas) também pode ter efeito protetor. A
prática de atividade física regular e controle do sobrepeso na
pós-menopausa também reduzem o risco. Além disso, deve-se evitar o uso
de terapia de reposição hormonal na menopausa por período prolongado e a
ingestão de grandes quantidades de álcool.
Pacientes com lesões precursoras de câncer de mama podem ter o
seu risco reduzido quando realizado o tratamento com tamoxifeno e outros
inibidores estrogênicos por cinco anos consecutivos. Pacientes com
mutações hereditárias BRCA1 e BRCA2, cujo risco para desenvolver um
câncer de mama é de 50% ou mais, podem se beneficiar preventivamente da
mastectomia profilática. Apenas um médico especialista poderá avaliar
cada caso e indicar a melhor forma de prevenção ou tratamento da doença.
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